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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Meu Nome é Trupizupe

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Eu não digo à ninguém
Que sou valente
Vivo longe
Dos brutos desordeiros
Sei tratar muito bem
Meus companheiros
Mas se um dia
Eu ficar de sangue quente
Chegarei no inferno
De repente
Faço o diabo chefão
Virar mulher
Mando logo prender
A lucifer
Solto alma de deuses
E pagãos
Se o cão cocho cair
Nas minhas mãos
Só se salta com vida
Se eu quiser...
Qualquer dia do ano
Se eu puder
Para o céu
Eu farei uma jornada
E como a lua
Já está desvirginada
Olha eu posso
Tomá-la por mulher
Se acaso
São Jorge não quiser
Olha eu tomo o cavalo
Que ele tem
Se a lua quiser
Me amar também
Dou-lhe um beijo
Nas tranças do cabelo
Deixo o santo
Com dor de cotovelo
Sem cavalo
Sem lua e sem ninguém...
Sou o bote
Da cobra caninana
Sou dentada
De tigre enraivecido
Sou granada
Que solta um estampido
Que se escuta
Por mais de uma semana
Sou picada
De abelha italiana
Sou a bala que acerta
O meio da testa
Sou incêndio
Que arrasa uma floresta
Sou a bruta explosão
Da dinamite
Sou micróbio feroz
Da meningite
Liquidando com gente
Que não presta...
Dei um murro nas ventas
De um mal poeta
Que a cabeça voou
Fez piruetas
Passando por todos
Os planêtas
Foi parar num reinado
De um profeta
Disse um santo
Que viu ficou pateta
A cabeça do cabra
Estava um facho
Uma alma gritou:
"Oh velho macho!"
São Pedro falou:
"O que é isto?"
Disse um anjo que estava
junto à Cristo:
"É Zé Ramalho zangado
Lá embaixo!"
O meu nome é Trupizupe
Sou o galo de campina
Me chamam Trupizupe
O raio da Silibrina.
 (Zé Ramalho)





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