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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

MATUTO DO SERTÃO

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Inscrevo essa prosa
Pro mode le falar
Dos meu pensamento
Da donde escui morar
Faço morada no sertão
Daqui num arribo não
Esse chão é meu lugar
Terra de cabra valente
Pobre mais samo decente
Isso vosmicê pode confiar 

Pra cidade num vou não
Tem assarto por lá
Fumacê de carro véi
Sordado mandando parar
Pidindo os dancumento
Se meu carro é um jumento
Cuma é que eu vou dar?
Inda diz o sordadim
Tenha cuidado bichim
Ou o pau vai intrançar

Acho mió aqui no sertão
Vivendo na minha choupana
Com um cachorro no terreiro
Brabo que nem caninana 
Inda tem lá no teiado
Com corda dependurado
Um cacho de banana
E mode alumiar meu terreiro
Tenho um bom candeeiro
No alpendre da cabana

Entonce num vou não
Pressa tar de capitar
Vou ficando por aqui
Inscutando meu galo cantar
Na porteira do curral
Logo que o sol da o sinal
Que o dia vai quelarear
É mior do que na rua
Longe das falcatrua
 Que inseste por lá

Faço do campo morada
Num laigo esse sertão
Eu mais minha famia
Acha mió esse torrão
Aqui vou prantando
Cuma faço todo ano
Pra cuier mi e fejão
Tenho uma vaquinha
No terreiro dez galinha
E no chiqueiro um barrão

Tomo água de pote
Numa caneca amassada
Armoço pirão de costela
Com rapadura rapada
Sou chegado a tapioca
Farinha de mandioca
E tripa de poico assada
Arrepare meu sinhô
Se eu quero ser dotô
E laigar minha morada 

Sou nordestino arretado
Minha graça é Jatão
Me orgulho de ser 
Um matuto do sertão
Que oia pro nacente
Espiando chuva pra gente
Mode moiar nosso chão
E não arredo o pé
Pode dar o que der
Daqui desse rincão

                          Texto: Jatão Vaqueiro

Fonte:blogJatãoVaqueiro.blogspot.com.br

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