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segunda-feira, 25 de março de 2013

Do Cantigas e Cantos: Rafaelzinha, poetisa da saudade.

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Maria Rafael dos Anjos Ferreira (Rafelzinha), grande poetisa, nasceu no Sitio Serrote Pintado, município de São José do Egito, também é mãe  do Poeta Pajeuzeiro Paulo Robério Rafael Marques. Uma poetisa que inspirava e  escrevia a  saudade com facilidade e perfeição, tinha a magia da poesia em seus versos e revelava em suas prosas tudo aquilo que sentia em seu peito com a sua simplicidade poética.

No ano de 1973, morava  em Sobradinho-BA ,  e sentindo saudades do seu torrão natal,  fez esses versos:

Quem quiser sentir saudade
Faça do jeito que eu fiz
Deixe seu torrão natal
Sem querer como eu não quis
Saia por necessidade
Que depois você me diz

Para fazer como eu fiz
Não precisa ter coragem
Depende da precisão
Fazer de tudo embalagem
Se subir num caminhão
Chorar  durante a viagem

Foi de cortar coração
Na hora da despedida
Saí de onde nasci
Pra terra desconhecida
Por contraste a incerteza
De arrumar o pão da vida

Foi na hora da partida
Quem assistiu lamentava
Era bem de tardezinha
Uma chuva se formava
Para o lado do nascente
Ai era que eu chorava.

Quanto mais longe eu ficava
Mais a saudade crescia
Olhava tanto pra trás
Que o  pescoço me  doía
Pra ver se ainda avistava
A casa que eu residia

Era tão grande o meu pranto
Que Joãozinho se comovia
De vez em quando eu olhava
Me ajeitava, me pedia
Lelê não chore tanto
Nós vamos voltar um dia.

Certa vez estava triste num banco da praça da cidade e uma velhinha ao vê-la assim, perguntou o porquê da tristeza. Ela respondeu em poesia.

Eu hoje estava chorando
Lá num banco da cidade
Perguntou-me uma velhinha
Como quem tem piedade
Porque chora criatura?
Eu respondi de saudade

Eu vou falar pra senhora
Com toda sinceridade
Estas lágrimas que derramo
Aqui em plena  cidade
É com pena de um amor
Que eu perdi na mocidade

Desculpa eu lhe perguntar
Ele já é falecido?
Deus me livre, não senhora!
É vivo, jovem  e nutrido
E o que eu sofri por ele
Já dava pra ter morrido
  
Outros Versos:

Relembro quando criança
Boneca eu não possuía
Eu pegava era um sabugo
Num mulambo eu envolvia
Numa casinha do mato
Passava o resto do dia

Eu só não sinto saudade
Na hora que estou dormindo
Quando vou abrindo os olhos
Saudade já estou sentindo
Não sei que mal fiz pra ela
Prá andar  me perseguindo

Poeta Pajeuzeiro
Cantigas e Cantos

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